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ânima


poesia deve ser isso:

o que ferve e congela

o que assombra e desanuvia

o que apaga

e incendeia

acena

à cena vazia


poesia deve ser isso:

o que amálgama e fere

anátema do frio

o que crema e espalha

amassa, esfarela,

e entra no cio


poesia deve ser isso:

morfemas e lexias

qualquer sal

um risco

de difundir

a via

quase

abissal

 



Escrito por Erly Welton às 16h42
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Pedra dos mitos

 

 

A hora mais pesada é aquela

Que ainda vem

Enquanto eu

Sísifo

Heráldico

Da pedra e da montanha

Sopro letras de sabão


 

A hora mais pesada será ainda

Mais adiante

Porquanto eu

Diógenes

Estóico

Sem lupa e sem livro

A lâmpada apagada


 

A hora mais pesada é a que está por vir

Antes que eu

Verdugo

Wakizashi

No ventre e na garganta

Corte a última palavra

 



Escrito por Erly Welton às 16h37
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AHOGADA

¡Su desnudez y el mar!
Ya están, plenos, lo igual
con lo igual.

                        La esperaba,
desde siglos el agua,
para poner su cuerpo
solo en su trono inmenso.

Y ha sido aquí en Iberia.
La suave playa céltica
se la dio, cual jugando,
a la ola del verano.

(Así va la sonrisa
¡amor! a la alegría)

¡Sabedlo, marineros:
de nuevo es reina Venus!

(Juan Ramon Jiménez)

 

Afogada

Sua nudez e o mar!

Já estão plenos, o igual

Com o igual

 

                    A esperava,

desde séculos a água

Para por seu corpo

Só em seu imenso trono

 

E esteve aqui na Ibéria.

A praia Céltica suave lhe deu,

Qual jogando, para a onda do verão.

 

(Assim vai o sorriso

 Amor! Para a alegria!)

Saibam marinheiros:

de novo a rainha é Venus!


Tradução vagabunda de Erly Welton Ricci



Escrito por Erly Welton às 16h23
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Distanciamento da Fala

Não sou um que escreve com sede
Nem alguém que fala sem dor
Tampouco em baixo e tímido som
Minha face escrita de cicatrizes
Quer a escritura longe do espelho

 

 

 

Je n'en suis pas qui écrit avec soif

Ni quelqu'un qui parle sans douleur

Non plus dans basse et son timide

Mon visage qui écrit de cicatrices

les manques l'écriture loin du miroir

 

 

 

 

Non ho uno anno che scrive con sete

Né qualcuno che parla senza pena

O in pesce persico e suono timido

La mia faccia che scrive di cicatrici

mancanze la scrittura lontano via dallo specchio

 

Yo no soy ninguno que escribe con sed
Ni alguien que habla sin dolor
O en bajo y el sonido tímido
Mi cara que escribe de cicatrices
Desea la escritura lejos del espejo



Escrito por Erly Welton às 16h21
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Nosso medo

 

Não usa sapatos novos

Nem assoma na janela

O uivo de sete paredes

Nosso medo

 

Ruas mal-iluminadas

Pedra assentada no ombro

O que espreita na lida

O nosso medo

 

Signo de nenhuma estrela

Crucificada no erro

Em vestes corruptíveis

Nosso medo

 

Fala pelos cotovelos

Entre ossos e lama e aço

Cerra olhos e punhos

Nosso medo

 

Não tem a morte no rosto

Não oferece a outra face

Ferro e fogo do verso

O nosso medo

 

Cálice de vinho e veneno

Inverno de mitos sangrentos

Desperta mil vezes em cena

O nosso medo

 

É uma montanha de pedra

Ciência e deuses no Olimpo

Rosário de cal e areia

Nosso medo

 

Punhado de sal na têmpora

O dia que ainda não veio

Barco na névoa espessa

Nosso medo

 

Cova rasa do julgamento

A linha de qual horizonte

Minúcias de cal e areia

Nosso medo

 

São farpas e ferpas na unha

Estrada longa e estreita

Reza pra todos os santos

O nosso medo

 

Ferrugem no pó e nos pelos

O sangue de metal e fungos

A certeza de não sabermos

O nosso medo

 

Em doze motes de cera

Ferro de muros e cercas

Arame em torno do punho

O nosso medo



Escrito por Erly Welton às 14h51
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Sem Pegada



Escrito por Erly Welton às 14h22
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Periférico

 

não voa a alma naquilo que digo
ela já está
isso que você vê como névoa de cores insondáveis
espalhada em todos os campos
é a expansão intermitente e começou desde sempre
está na pedra, na placa e na praga
na areia, na água e na águia
na letra, na lente e na pele da palavra

por isso minha alma não é passional
nem minha
o verbo também
espalhado por todos os campos
amém


Erly Welton Ricci



Escrito por Erly Welton às 17h45
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Wilson Bueno

A vida?

Já vi esse filme.

Sensacional!

É triste. Mas eu sempre morro

no final...

 

O cartunista Solda fez uma homenagem ao grande Wilson Bueno, juntamente com nosso amigo, o poeta Cleto de Assis - AQUI

e AQUI



Escrito por Erly Welton às 17h00
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WILSON BUENO

O escritor e jornalista paranaense Wilson Bueno, 61 anos, foi encontrado morto dentro de sua casa, no final da tarde desta segunda-feira (31), no bairro Tingui, em Curitiba. O corpo de Bueno foi encontrado pela diarista, em um quarto na parte superior do sobrado em que o escritor morava. Ele estava bastante machucado, com vários sinais de agressão.

Considerado um dos mais importantes escritores brasileiros contemporâneos, Wilson Bueno tornou-se nacional e, em certos círculos, internacionalmente conhecido, com o lançamento, em 1992, da novela Mar paraguayo (com antológico prólogo de Néstor Perlongher), publicada originalmente pela editora Iluminuras, de São Paulo, onde  em portunhol — um mix de espanhol, português e guarani — conta-se a vida de uma sofrida mulher e "el viejo", com quem ela vive, em Guaratuba, no litoral do Paraná. Em contraponto, a paixão por "el niño" — surfista e jovem. Perfeita metáfora das canhestras ditaduras latino-americanas, proliferantes, um tempo, em "nuestra America". Recentemente o livro teve a sua primeira edição internacional, pela prestigiosa Intempérie Ediciones, de Santiago do Chile. A edição argentina saiu em 2005, pela editorial Tsé-Tsé. A mexicana foi publicada pela editorial Bonobos, apresentada por Eduardo Milán. Em Cuba a novela foi apresentada por Ricardo Alberto Pérez, em Once poetas brasileños. O livro foi adaptado ao cinema por Nivaldo Lopes, no média-metragem de mesmo título. Está sendo traduzido, por Erin Moore, para a Oxford Press University — em francenglish e mohwac (este fazendo as vezes do guarani original). Objeto de seminário, no segundo semestre de 2005, na Universidade da Sorbonne, conduzido pelo Prof. Dr. Pedro Araya (Paris IV). Tese de Doutorado (Professora coreana Hana Yang, Universidade de Berkeley/Estados Unidos).

 

Pessoa leve como o seu poema em prosa "Pelicanos" abaixo, Wilson Bueno vai fazer falta neste mundo de pessoas violentas, cada dia mais ignorantes, sem escrúpulos, bregas, que saúdam a merda como obra de arte - isso quando mostram alguma sensibilidade.

 

Pelicanos


Os pelicanos são como avis raras, e moram, em seu silencioso coração, as reticências.

 

Arcar com o severo pesadume do bico é, deles, dos pelicanos, uma insubstituível marca e, de certo modo, um glorioso acinte. Pudessem, não envergariam pela vida afora  os bicos como trombas tristes e nem exibiriam as longas melancólicas pernas feito uma humilhação compulsória.

 

Ah, guardam, no escuro papo guardam uma esmeralda viva e sonham por nós o sonho oblíquo de que sendo sumamente feios, de físico e de feição, nós, os dois, neste lago merencóreo, alcancemos soar, quem diria?, perfeitamente escarlates.

 

Voar não podemos dada a complexidade do corpo contra a magra asa. Assim, jaburu, o nariz e a dilatada marca de teu lábio inchado.


Wilson Bueno 




Escrito por Erly Welton às 11h34
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betrayed by
a winter wind

the beautiful 
butterfly

slowly flo
wing like a
flying flower

fallen over 
a frozen 
river

(bitter is
 to fly

so far
to die

better flying forever)

Poema de Rodrigo Garcia Lopes, "Betrayed" musicado por Neuza Pineiro.
(Fotografia e vídeo: Cecília Camargo.)
OUTRAS PALAVRAS - POÉTICAS ANDREENSES
Local: CASA DA PALAVRA ESCOLA LIVRE DE LITERATURA
PRAÇA DO CARMO, 171, CENTRO SANTO ANDRÉ, SP.
TELEFONE: (11) 4992-7218.
Dia: SEXTA-FEIRA, 23 DE Abril DE 2010
Horário: A PARTIR DAS 19H00.
http://inventariodn.blogspot.com/2010...



Escrito por Erly Welton às 10h53
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ausência

 

O dia foi ontem
quando um vulcão de mágoas
abriu suas pálpebras

e sobre o outono das atitudes
adiantou-se o verão das águas

e todos
os bravos
pelo brilho
da sua dor
particular


cegos
não perceberam
o dia passar

bem devagar



Escrito por Erly Welton às 16h13
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Tábua dos âmbitos

 

O olho da noite
mira o dia

a lingua do rio
lambe o mar

e o nervo do céu
choveu

por isso périplos
tantos

dos cosmos
e dos oceanos

para as velas
do que somos

você e eu

 



Escrito por Erly Welton às 15h22
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DEFININDO A MAGIA

 (Charles Bukowski traduzido por Rodrigo Garcia Lopes)




um bom poema é como uma cerveja gelada
quando você está mais a fim,
um bom poema é um sanduíche de presunto, quando você está
faminto,
um bom poema é uma arma quando
os bandidos te cercam,
um bom poema é algo que
te permite andar pelas ruas
da morte,
um bom poema pode fazer a morte
derreter feito manteiga,
um bom poema pode enquadrar a agonia e
pendurá-la na parede,
um bom poema pode fazer seu pé tocar
a China,
um bom poema pode fazer você cumprimentar
Mozart,
um bom poema permite você competir
com o diabo
e ganhar,
um bom poema pode quase tudo,
isso sem dizer que
um bom poema sabe quando
parar.




CHARLES BUKOWSKI
Tradução: Rodrigo Garcia Lopes
do blog Estúdio Realidade




Escrito por Erly Welton às 09h51
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 quase apocalíptico
(publicado no BaNco de PoEsia - revista eletrônica de literatura do meu amigo Cleto de Assis, que está completando dois anos de atividade)

Poema feito e refeito

Erly Welton Ricci


Será necessária a queda do sol
Marte explodindo sobre new york
Chuva de pedras da lua

Serão necessários mares fervendo
O gelo dos árticos encobrindo céus
Esfoliação da pele dos ritos

Será necessário o sangue nas gruas
A merda espalhada nos condomínios
A praga de mil bestas rugindo

Será necessário plastificar o dia
A unanimidade do grito no escuro
Queimar as florestas nos meses pares

Serão necessárias moendas de carne
Gases venenosos na superfície
Baixar a cognição ao zero

Será necessária a acidez dos planos
Satanizar deuses e gênios
Tornar cinza todo amarelo

Será necessário uivar novamente
Estriquinina jogada na fonte
Sacrificar todo ente in vitro

Será necessário copiar os ossos
Desfragmentar portas e janelas
Ferir a noite permanentemente

Será necessária a massa dos muros
O inferno que faz suar muitos sonhos
Acumular dejetos na mesa

Será necessário inventar tantos mitos
Comer a alma atirada na lida
A filosofia do ouro e do sal

Serão necessários caminhos tortos
Pedra na fronte e no sapato
Transpor palavras com subescrituras

Serão necessárias as dores alheias
Ouvir o ruído da fome e da sede
Incendiar cidades e aldeias

Serão necessários alguns anos ainda
Engravidar a mulher do próximo
O sangue vulcânico nas veias

Será necessário um punhal no pescoço
Mais de três bailarinas nuas
Fumar raiz de jurema

Será necessário risível piedade
muito gás carbônico na veia
auras cheias de escamas

Será necessário cancelar as lendas
a mente enredada na teia
para criar novo plano

________

Ilustração: C. de A.


Escrito por Erly Welton às 09h57
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estou no meio da fila da sopa


 
estou no meio da fila da sopa.
há muita unidade humana(?) na fila da sopa.
e não vejo nenhum sinal de alívio nas faces dos que, como eu, estão nesta mesma imensa fila.
 
estou no meio da fila da sopa.
as faces dos que estão mais perto de mim apresentam aspecto semelhante à câimbra, contorcidas em dezenas de esgares involuntários.
 
estou no meio da fila da sopa.
indiscriminadamente, a fila permite todas as faixas etárias, cores, raças e credos possíveis e impossíveis.
 
estou no meio da fila da sopa.
e são milhares de filas, cada qual contendo milhares de dejetos sociais.
 
estou no meio da fila da sopa.
num ritmo primitivo, em sequência coreografada com precisão cirúrgica, estão saltando do abismo para as lâminas de aço entrecruzadas sobre a boca do calderão, os que vão chegando na borda.
 
estou no meio da fila da sopa.

Erly Welton Ricci



Escrito por Erly Welton às 09h12
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Memória das possibilidades

para Rupert Sheldrake

 

 

se a mente está fora

é porque observo

quem me observa

 

mas a mente está dentro

da folha amarela

do livro do tao

 

a mente está dentro

no cinza e no azul

e no escuro do céu

 

a mente está dentro

das moléculas também

na sombra sem nome

 

a mente está dentro

do gameta da nuvem

na pedra e na lama

 

está na erva

a mente

no campo das eras

no alto e no fundo

da  sala

 

a mente fora

da esfera ´

são milhares apenas

 

a mente fora

acumulando  dentro

estrelas novas e silêncio

 

a mente no  vácuo

da mente

uma rede de mentes

 

ressonantes

 

morfológica

mente

habitual

mente

fora

da mente

 

e acumula

tiva

mente

dentro



Escrito por Erly Welton às 09h57
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Ouvidos de orvalho

Na eternidade, ninguém se julga eterno.
Aqui, nesta estada, penso que vou durar
além dos meus anos, que terei 
outra chance de reaver o que não fiz. 
Se perdoar é esquecer, me espera o pior:
serei esquecido quando redimido.

Não me perdoes, Deus. Não me esqueças.
O esquecimento jamais devolve seus reféns. 

A claridade não se repete. A vida estala uma única vez.

O fogo é uma noz que não se quebra com as mãos.
A voz vem do fogo, que somente cresce se arremessado. 
Não há como recuar depois de arder alto. 
Fui lançado cedo demais às cinzas.

Somos reacionários no trajeto de volta.
Quando estava indo ao teu encontro, 
arrisquei atalhos e travessas desconhecidas. 
Acreditei que poderia sair pela entrada.
Ao retornar, não improviso. 

Minha conversão é pelo medo, 
orando de joelhos diante do revólver,
sem volver aos lados,
na dúvida se é de brinquedo ou de verdade.

O vento faz curva. Não mexo nos bolsos, 
na pasta e na consciência,
nenhum gesto brusco de guitarra, 
a ciência de uma mira
e o gatilho rodando próximo
do tambor dos dentes. 

Derramado em Deus, junto meu desperdício. 

Vou te extraviando no ato de nomear.
Melhor seria recuar no silêncio. 

Cantamos em coro como animais da escureza.
Os cílios não germinaram. 
Falta plantio em nossas bocas, vegetação nas unhas,
estampas e ervas no peito. 
Suplicamos graves e agudos, espasmos e espanto,
compondo esquina com a noite. 

Cantar não é desabafo,
mas puxar os sinos 
além do nosso peso,
acordando a cúpula de pombas. 

Somos fumaça e cera,
limo e telha,
névoa e leme.
O inverno nos inventou.

Não importa se te escuto 
ou se explodes meus ouvidos de orvalho: 
morre aquilo que não posso conversar? 

Ficarei isolado e reduzido, 
uma fotografia esvaziada de datas. 
Os familiares tentarão decifrar quem fui 
e o que prosperou do legado.
Haverei de ser um estranho no retrato
de olhos vivos em papel velho. 

Escrevo para ser reescrito. 
Ando no armazém da neblina, tenso, 
sob ameaça do sol. 
Masco folhas, provando o ar, a terra lavada.
Depois de morto, tudo pode ser lido. 

Vejo degraus até no vôo. 
Tua violência é a suavidade.
Não há queda mais funda
do que não ser o escolhido, 
amargar o fim da fila, 
ser o que fica para depois,
o que enumera os amigos 
pelos obituários de jornal, 
o que enterra e se retrai no desterro, 
esfacela a rosa ao toque
na palidez das pétalas e velas, 
vistoriando cada ruga 
e infiltração de heras entre as veias, 
nunca adulto para compreender.

Não há nada de natural na morte natural.
Divorciar-se do corpo, tremer ao segurar
as pernas, acomodar-se no finito
de uma cama e deitar com o tumulto 
que vem de um túmulo vazio.

Fabrício Carpi Nejar - Poema do livro Biografia de uma árvore

http://www.carpinejar.com.br



Escrito por Erly Welton às 10h33
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A poesia antes...

.... da Era da Mediocridade

DA ESPELUNCA de Ademir Assunção - http://zonabranca.blog.uol.com.br/

Com o título O PIJAMA ESTÁ SECANDO NO VARAL

Capas da revista Bric a Brac, publicada em Brasília, no final dos anos 80, começo dos 90. Bric a Brac era uma revista de poesia! (um pouco antes de entrarmos na Era da Mediocridade). A revista era editada por Luis Turiba, Lucia Miranda Leão, João dos Reis Borges e Luis Eduardo Resende (Resa) – autor das duas capas acima.



Escrito por Erly Welton às 17h21
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No Boteco do Tulípio está rolando a Semana Anti-Fumo. Muito bom. Passa lá.



Escrito por Erly Welton às 16h56
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UIVOS E APLAUSOS À RESISTÊNCIA

TRIBUNA CULTURAL

por Zema Ribeiro*



UIVOS E APLAUSOS À RESISTÊNCIA

 


Revista de literatura e arte, Coyote alcança 19ª. edição, nadando contra a corrente, remando contra a maré. Que editores e colaboradores consigam ir ainda mais longe, amém!


Thomaz Albornoz Neves entrevistou, em 1993, o poeta pernambucano João Cabral de Melo Neto (1920-1999), no apartamento carioca do autor de Morte e vida Severina. Apenas uma pequena parte da conversa entre os dois foi publicada na revista Interpoesia, em 1998. O resto permanecia inédito. O 19º. número da Revista Coyote [Kan Editora, distribuição nacional: Iluminuras, 52 páginas, R$ 10,00, pedidos pelo http://www.sebodobac.com.br; alô, livrarias e sebos de São Luís: ninguém se interessa?] traz a íntegra da entrevista com o “cabra lírico”. E este é apenas um dos destaques da revista de literatura e arte que, só por conseguir resistir e chegar a esta 19ª. edição, já merece nossos uivos, digo, aplausos (que tal uivarmos batendo palmas?), pela resistência, insistência, perseverança e, mesmo, teimosia de seus editores.

Ademir Assunção (SP), Marcos Losnak (PR) e Rodrigo Garcia Lopes (PR), inventam e reinventam a publicação sediada em Londrina (PR) e que resiste bravamente, até aqui – e esperamos que por muito tempo ainda –, graças ao apoio do Programa Municipal de Incentivo à Cultura de Londrina. Engana-se quem pensa que, com isso, a revista se fecha no próprio umbigo e traz apenas poetas da terra de Leminski. Muito ao contrário: é na Coyote que conheço novas vozes nos campos a que se dedica a publicação (literatura e arte, convém lembrar) e (re-)leio vozes, não direi velhas – há coisas que simplesmente não envelhecem –, mas fundamentais.

Com um belíssimo projeto gráfico, a revista transpira qualidade da primeira à quarta capa: tudo ali é arte. A “matilha” da 19, além de João Cabral e seu entrevistador Thomaz Albornoz Neves, e do editor (da revista) Ademir Assunção – que brinda o público leitor com poemas inéditos –, apresenta nomes como George Oppen (poeta ianque do Grupo Objetivista, formado nos anos 30, falecido em 1984), Teo Adorno (quadrinista e ilustrador paulista) e Ernesto Sabato (doutor em física nuclear, um dos maiores nomes da literatura argentina, nascido em 1911), entre outros, além da tradicional quarta capa, ilustrada pelo Beto, já reconhecida como a capa dos “movimentos”.

TRECHOS DA COYOTE 19

“Tenho a impressão que, por um lado, sou muito mais visual que plástico, por outro não sou nada auditivo. Estou com Voltaire, a música é o menos desagradável dos barulhos. Eu não tenho o menor interesse por música. (...). Minha poesia é toda visual: ela se afasta da linguagem abstrata. A linguagem que me interessa é a linguagem concreta. Meu esforço é justamente, usando o título do livro de Paul Éluard, Donner a Voir [Dar a ver]”.

João Cabral de Melo Neto, em entrevista a Thomaz Albornoz Neves, em 1993

*

“luzes esverdeadas na tela/ da TV, pipocas de microondas,/ pipocos digitais, sim,/ olha lá, olha lá, santelmo/ riscado do mapa,/ cochabamba para bailar la bamba,/ titicaca não passa de titica,/ brasília era só uma ilha, cercada/ de cucarachas e carcamanos,/ quem vai sentir falta/ dessas baratas?, soca mais bombas/ na bunda dessa indiarada, pow,/ crash, soc, e que se fodam/ todos los hermanos, cambada/ de terroristas islâmicos,/ papai me disse que eles comem/ gente, vai vendo, e ainda usam as tíbias/ como palitos de dente”

Ademir Assunção, Videogame, da seleta de inéditos Boa noite, Mister Mistério



Escrito por Erly Welton às 11h42
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COYOTE 19 UIVANDO COM GOSTO



Saiu a nova Coyote, revista que edito com Marcos Losnak e Ademir Assunção. Já são 7 anos editando a bagaça. Este número tá imperdível. Por que?

1) Por trazer uma entrevista inédita de
João Cabral de Melo Neto

2) Por um conto do norte-americano
Donald Barthelme,

3) Por trazer traduções da poeta espanhola radicada no Paraguai,
Montserrat Alvarez

4) Poela história em quadrinhos de
Teo Adorno, com roteiro de Luiz Bras



“Quando estava morando em Barcelona, tinha acabado de escrever e publicar a ‘Psicologia da Composição’ e estava certo de que não iria mais escrever poesia. (...) Tinha a impressão que havia chegado a um extremo tal de intelectualismo, por assim dizer, com a ‘Psicologia da Composição’, que não tinha mais sentido seguir naquele caminho." A revelação surpreendente de João Cabral de Melo Neto dá o tom da entrevista feita pelo poeta gaúcho Thomaz Albornoz Neves, no outono de 1993 – um dos destaques da nova edição da revista Coyote.

Em seus sete anos de atividade, Coyote prossegue abrindo espaço para novos autores, resgatando e apresentando nomes importantes das letras e das artes, de épocas e lugares diferentes, instigando a reflexão e a criação literária. A revista é patrocinada pelo PROMIC (Programa Municipal de Incentivo à Cultura) da cidade de Londrina.

COYOTE 19 // 52 páginas // R$ 10,00
Uma publicação da Kan Editora. Vendas em livrarias de todo o país pela Editora Iluminuras – fone (11) 3031-6161 (site: www.iluminuras.com.br). Pode ser adquirida também na internet pelo Sebo o Bac:
www.sebodobac.com

Contatos: losnak@onda.com.br / rgarcialopes@gmail.com / zonabranca@uol.com.br
Fone: (43) 3334-3299 / (11) 3731-3281

PATROCÍNIO: PROMIC - PROGRAMA MUNICIPAL DE INCENTIVO A CULTURA – SECRETARIA MUNICIPAL DE CULTURA DE LONDRINA (PR)



Escrito por Erly Welton às 18h09
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Poemas da Revista Piauí para o Flip

A BELA E A FERA I
Eucanaã Ferraz

Em cruzar
a sala zumbindo
sua navalha o besouro-ébano espanta

o piano que se ergue atrapalhado,
plantado na ponta das
patas

sem poder,
do chão, tocar o ouro
absoluto da negra couraça que inseta

o ar ali com sua canção. E o pobre
Steinway supõe ser
a nave

um
sinal, um
seu semelhante, um filho talvez.
____________________________________

A BELA E A FERA II
Eucanaã Ferraz

Em cruzar a sala zumbindo o ouro negro
de sua couraça
o besouro

absoluto
ébano espanta
o piano que, plantado no chão, ergue-se

atrapalhado na ponta das patas sem poder
tocar a nave que
navalha

o ar
com sua canção-verniz. E
o pobre Steinway supõe ser o inseto

ali um sinal, um seu semelhante,
talvez um
filho.
___________________________________

NA GÁVEA
Luís Miguel Nava

Ocorre-me de vez em quando a idéia de que o
homem que nos barcos sobe à gávea o faz na
realidade apenas para perscrutar a sua própria
pele, obter dela uma outra perspectiva, funcionando
o mar como uma representação muito
aumentada, qualquer coisa como uma metáfora
ou uma lente. É pelo menos desse homem
que eu me lembro sempre que sobre a minha
pele, inquieto, me debruço, a avaliar os mais
leves prenúncios de intempéries.

___________________________________

PEDRA
Zbigniew Herbert

A pedra
é uma criatura perfeita

igual a si mesma
percebe seus limites

é perfeitamente preenchida
por seu sentido de pedra

seu cheiro não lembra nada
não assusta não excita

seu ardor e frieza
são justos e dignos

sinto um grande remorso
quando a pego na mão
e seu corpo nobre
é envolvido pelo meu falso calor

- Pedras não podem ser domadas
até o fim nos olharão
com olhos calmos e transparentes

Tradução_Sylvio Fraga Neto e Danuta Nóbrega

___________________________________

OBJETOS
Zbigniew Herbert

Os objetos inanimados são sempre corretos e,
infelizmente, não se pode censurá-los por nada.
Jamais vi uma cadeira deslocar o peso de um
pé para outro, nem uma cama empinar-se sobre
as patas traseiras. E as mesas, mesmo quando
cansadas, não ousam dobrar os joelhos. Desconfi o
que os objetos ajam assim com intenção
pedagógica, a fi m de nos reprovar constantemente
por nossa instabilidade.

Tradução_Paulo Henriques Britto



Escrito por Erly Welton às 14h26
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 Oficina de Textos

Poemas

      
SENTINELA
       
Eu queria ser uma sentinela,
Fumando e esperando.
Vigiando e fumando.
Quem vigia não pensa, fuma,
Quem pensa não vigia, deserta.
Eu fumaria e vigiaria a noite inteira,
Esperando, esperando, até eles não chegarem.
Fumando como uma sentinela.
       
THE ART OF SHAVING
        
Quando eu era um rapazola,
Barbeava-me apressado, displicente,
Mal sabia eu que, dentre os petrechos para tanto,
Havia o pincel com pêlos de texugo. 
        
Hoje, os vapores me abrem os poros da pele,
A lâmina é sempre afiada, constantemente substituída,
O barbear é lento, calmo, porém rigoroso e ritmado,
E há sempre cosméticos que esfoliam, suavizam, acalmam.
       
Se tens tu uma bela barba, cultive-a.
Mas se fores rapar a cara, faça-o com tempo.
O barbear sempre diferencia o Aristocrata do Pelintra. 
      
Eu nunca vi um texugo, mas sei que eles existem,
E que dão os melhores pincéis, pois, há coisas de sabença mais antiga.
Que não são aprendidas, somente sabidas e consabidas. 
      
EUGÊNIA 
        
A primeira vez que vi Eugênia me apaixonei.
A segunda vez que vi Eugênia nos casamos.
A terceira vez que vi Eugênia ela se tornou mãe dos meus filhos.
A quarta vez que vi Eugênia pedi desculpas, e ela aceitou.
A quinta vez que vi Eugênia ela estava morta, coberta por um véu diáfano.
E olhe que nem tivemos tempo para uma conversa sincera.
       
   
Rogério Gaspari Coelho, São Paulo - SP

 



Escrito por Erly Welton às 14h18
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KOSMOS


A página começa a ler você,

ser aquilo que você sonhava ser:

Pacto contra o nada,

jardim veloz de acantos, planetários,

Vulcões de asbestos, voragens de pó e lacunas de relva.

No rebatimento da luz, azul se espalha,

E lenta vem a noite, espelho negro espesso

revelando furos na lona do circo eterno

pontos em negativo na tela branca

os olhos do tigre de Blake.


Rodrigo Garcia Lopes (foto), de quem já publiquei neste espaço vários poemas e traduções, nasceu em Londrina (Paraná, Brasil), a 2 de outubro de 1965. Formado em Jornalismo, em 1984-85 viajou pela Europa e, na volta, publicou a página literária "Leitura" e as revistas "Hã". Trabalhou em jornais e veículos literários em São Paulo ("Ilustrada") e Curitiba ("Nicolau"). De 1990 a 1992 viveu nos Estados Unidos, onde realizou mestrado na Arizona State University com tese sobre os romances de William S. Burroughs. Neste período, também reuniu material para seu livro de 19 entrevistas com escritores e artistas (como John Ashbery, William Burroughs, Marjorie Perloff, Allen Ginsberg, Nam June Paik, Charles Bernstein and John Cage). O livro, "Vozes & Visões: Panorama da Arte e Cultura Norte-Americanas Hoje" foi publicado pela Iluminuras em 1996. Em seu retorno, lançou "Solarium", que reúne sua produção poética desde 1984. Em 1996 publicou a tradução das "Illuminations" de Rimbaud (também pela editora Iluminuras). No ano passado lançou seu segundo livro de poemas, "visibilia" (Rio de Janeiro: Sette Letras). Ao longo destes anos traduziu, entre outros, a poesia de Ezra Pound, Sylvia Plath, William Carlos Williams, Robert Creeley, Gertrude Stein, Laura Riding, Gary Snyder, Charles Bukowski, John Ashbery, Jim Morrison, e Samuel Beckett. Em 1998 foi curador da exposição "Olhares", do fotógrafo nipo-brasileiro Haruo Ohara, que participou da Bienal Internacional de Fotografia, em Curitiba. Atualmente prepara tese de doutorado sobre a poesia de Laura (Riding) Jackson e realiza performances de poesia & música pelo Brasil. Vive na ilha de Florianópolis, onde prepara novo livro de poemas.




Escrito por Erly Welton às 17h46
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26 AFORISMAS SOBRE POESIA (de rodrigo garcia lopes)

1.

Permanece um mistério o fato de que vivemos em estado permanente de linguagem. A poesia é o instrumento ideal para captar este mistério.

2.

Mu Ga não é parar o pensamento: é perceber o pensamento.

3.

Cada vez mais a persistência da idéia de poesia radical entendida em seu sentido etimológico, do latim radix, raiz, base, fundamento. Uma poesia que investiga sua própria ocorrência, ramificações, vis-à-vis seu encontro com o mundo, indo na raiz do problema: para o poema, esta raiz é a palavra.

4.

A abstração é a natureza da mente, não a mente um reflexo da consciência.

5.

O desafio está em não cair numa metalinguagem barata. Ou solipsismo ("não há nada fora de minha mente"). Ao contrário, o poema é um encontro em nosso território comum, nosso habitat.

6.

Poeta é quem que provoca música com os vocábulos. E afasta a afasia. Certa aversão pela idéia difundida pelo senso-comum da vida (e da poesia) como algo contínuo. Poemas são seres vacilantes, como animais, ORGANISMOS, e parecem estar o tempo todo querendo incorporar o caráter fragmentário e material da experiência. Por isso, parecem muitas vezes "incompletos".

7.

Se "poesia é a promessa de uma linguagem" (Hölderlin), então o poema é um não-lugar, uma utopia. Seu sentido é seu movimento.

8.

O poema é um ultraje (outrage), um contra-texto.

9.

De olhos fechados: o universo é vermelho.

10.

Você diz

que não há nada de novo

sob o sol.

Isso pode valer para o sol,

mas não para nós.

(apud Apollinaire)



11.

Um "eu" que é um olho, o olho que é um outro, o outro que é um. A consciência da consciência. Um teste de solitude.

12.

Poder pensar, como Paul Cézanne, que as palavras é que se pensam através de mim.

13.

A natureza nos desconstrói sem que notemos, e a noite restaura a memória das percepções que usaremos, no dia seguinte, para reconstruir a natureza e a nós mesmos.

14.

Nos fala, nos media, nos habita. Sempre a caminho. Não há como escapar. Nelas estamos em nossa única casa, ou fora, ou estamos a sós.

15.

Todas as abordagens poéticas (seja através de iluminuras, personas, objetivos correlativos, colagem, simultaneismo, pastiche, ostranenie, ideograma, non-sequitur) desembocam, por operações distintas, na grande questão: o espaço habitado pela poesia enquanto matéria mental, entre palavra e mundo. Entre estar mudo e ser mundo.

16.

O nome do ventríloco era Eulírico. ("Já meu nome é eutro: o intervalo entre palavra e mundo").

17.

O poema nasce enquanto o procuramos.

18.

Como numa história de detetive, o poema, hoje, é um enigma. Seu crime começa já nas primeiras palavras. O poema nada mais é que uma seção de correlatos do sentido suspensos entre pistas falsas, fragmentos de perfis, frustrações de expectativas, que apontam inequivocamente para sua própria aparição & desaparição. O nome dessa luta invisível é o sentido.

Whodunit?

19.

Raízes rebentam o ventre da terra: pensamento selvagem.

20.

A prosa parece se traduzir em ser vidro transparente, enquanto a poesia revela manchas de mão no vidro, trincas, poeira, as imperfeições da superfície.

21.

Talvez poemas devessem ser mais que simplesmente escrita sobre experiências, e sim escrita como experiências.

22.

Produto e processo, num poema, têm que ser pensados juntos. O que e como são siameses. Esmero excessivo desvirtua o palácio da sabedoria.

23.

O desafio tem sido esse: investigar como se dá o processo de transferência do mundo "real" ao mundo "poético". Me interessa este momento único que se dá na percepção: no choque do "dentro" com o "fora" (Como aquilo virou isto?). E o poema seria exatamente a tradução simultânea desta percepção em palavra, energia, usina, poesia. E o poema surge como o resultado desse atrito entre consciência e mundo, fruto dessa tensão e, antes que me esqueça, desse prazer.

24.

O momento em que o poema se fecha é o momento em que ele se abre para o leitor.

25.

A idéia tradicional de prosa, para mim, é que o texto parece nos colar numa temporalidade, um estado absortivo, com as palavras quase parecendo passar transparentemente da página para a mente, ("uma câmera filmando tudo isso", sem erros de continuidade), enquanto a poesia atua com mais freqüência em saltos, cortes, surpresas, desconstruções sintáticas, frustração de expectativas, associações, conexões, desconexões.

26.

Vai ver a poesia seja uma necessidade estética da consciência.

(Apud Macedonio Fernandez)




Escrito por Erly Welton às 15h38
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